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Cigarillos

       
         
        Fumei novamente o cigarro de quando eu era criança. Em um dia chuvoso, passou por mim uma senhorinha segurando o guarda-chuva com uma mão e na outra o cigarro fedido, daqueles paraguaios vendidos à varejo nos bares. Lembrou-me da tia Rosinha. Senti novamente o cheiro de seu cigarro impregnado no estofado de sua casa, lembrei-me do cachorro velho e tarado, dos milhares de pombos enfileirados em seu muro baixo, dos maços de cigarro espalhados na lateral de sua casa, dos cinzeiros cheios pela casa. Talvez aquele amarelaço nos dentes e aquela pele enrugadinha tenham me desincentivado o fumo. Talvez o cheiro. Talvez tudo. Cheiro de cigarro barato, definitivamente, não me traz boas memórias.


Comentários

Anônimo disse…
Incrível como às vezes um cheiro nos reporta a outra época, às vezes alguém... Mas nesse caso, você há de convir comigo, cheiro de cigarro só agrada a fumantes mesmo. rs
Ella ABp disse…
Já diz Nonatinho, o olfato ativa a memória. Mas realmente, cheiro de cigarro é péssimo, ainda mais esse tipo de cigarro a que me refiro... Exagerado de tão fedido. rs