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Amor mental

Ontem a louca era ela.  Ele lhe prometera que não tentaria mais nada. Ela resolveu torturá-los dessa vez. Estava incontrolável. Arfava. Queria beijos loucos de saudade e desejo. Ele pediu uma massagem e deitou de bruços. Tirou com esforço a camisa. Ela fez uma massagem em suas costas. Ele relaxou com o toque daquelas mãos finas e pálidas. Sabia que iria melhorar da dor. Ela observou aquelas costas morenas por todo o comprimento. Estava sentada por cima dele. A respiração, ela precisava controlá-la. Ele se movia às vezes e a movimentava. Pediu que ele parasse. Ele fingia e depois repetia o movimento. Ela começou a falar no seu ouvido. "Se você não parar, vou lhe maltratar." Ele sorriu. Parou por um tempo e fez de novo. Alguém apareceu. Ela lhe deu um beijo na nuca. Ele se contraiu. Depois, ela encerrou a massagem e beijou toda a coluna vertebral dele. Ele tremia cada vez que aqueles lábios tocavam sua pele. O desejo subiu à cabeça. Ele pôs de volta a camisa. Não tentaria nada. Então, os dois se envolveram num louco beijo. Com respirações entrecortadas. Coração acelerando. E logo ela já fora parar sobre ele. As quatro pernas formavam um emaranhado. Ela se agitava por cima dele. Os dois permaneciam de roupa. Mas como era possível? Respiravam e se moviam como no ato, sem fazê-lo. Ele se levantou, precisava tomar ar, água, acalmar-se. Mas era só vê-la ali deitada no sofá, olhando para ele, que já perdia a concentração recuperada às custas. Ele deitou-se ao lado dela e recomeçaram. Ela controlava seus movimentos. Ele tentava beijar os lábios dela como que devorando-a. Ela o beijava como que apreciando um morango bem doce; ele desacelerava. Então ela ia retomando o ritmo, mas conduzindo-o. Para ele, ela era um mistério, uma descoberta, uma hora uma mulher ardendo de desejo, querendo devorá-lo, outra uma menina doce e meiga que só queria carinho. Era isso, era preciso desbravá-la a cada vez, cada momento. Era preciso adivinhá-la. O corpo dela se arrepiava, fervia. 23h44. Ele precisava ir embora. Deu-lhe um beijo de tirar o fôlego que ela ainda não tinha de volta. Eles se despediram com algumas carícias. Um pouco mais de beijos loucos. Um movimento inesperado. E ela no outro dia, não parava de pensar que aquela teria sido a melhor noite. Sem sexo, mas estranhamente os dois estavam mais conectados, faziam amor sem nem sequer cruzar uma fronteira física. Naquela noite o amor foi mental. Fizeram amor, era isso. E por essa causa, ela perdia o fôlego a cada vez que pensava nisso. A mente dela viajava. Procurava pensar em outra coisa. Mas sua mente só queria continuar fazendo amor com ele. Só queria aquele sabor inexperimentado, queria aquele pré-prazer que teria saciado seu coração. Queria só ele e nada mais.

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